Um País de Mentirosos e de Insanos

Situação caótica dos hospitais no atendimento a pacientes infectados pela covid-19

O que a princípio era para ser um “resfriadozinho”, primeiramente na fala do médico Dr. Drauzio Varella, em que empós veio a se retratar ao perceber a dimensão da disseminação do vírus em dimensões imprevisíveis, falando dos riscos e dos cuidados que cada pessoa deveria ter, principalmente os idosos como ele, mas o que não se percebeu de início, é que a pandemia não tinha um hospedeiro identitário a ser perseguido.

         Depois da previsibilidade equivocada do famoso médico televisivo, veio a assertiva, independentemente da opinião daquele profissional, em entrevista pública, veio o presidente Jair Messias Bolsonaro, a dizer em interstícios temporais próximos, quando das primeiras mortes pela Covid-19, que se tratava de uma “gripezinha” e de que ele, como tinha porte de atleta, não seria acometido por esse mal, e de que, portanto, não era motivo para preocupação. Seguindo-se várias outras ilações visceralmente equivocadas, do primeiro mandatário do país, a quem tem por dever e obrigação de cuidar de seu povo, veio a se seguir vários outros momentos negacionistas contra medidas sanitárias de prevenção e de cuidados para se conter o avanço da doença e, ele, o chefe de estado, nessa condição, foi num históricos de falas desconexas, sem respaldo e logicidade alguma, fazendo as suas próprias avaliações do avanço da pandemia e do acúmulo de mortes, prescrevendo o seu próprio kit covid preventivo, mesmo que não comprovado cientificamente, negando a doença e pugnando sempre pelo não isolamento social, não uso de máscaras e pela não aplicação de qualquer imunizante porque se corria até o risco de vir a ser implantado um chip chinês em quem viesse a tomar a vacina, sob o risco de quem assim procedesse viesse a sofrer transmutações para vir a ser transformado num bicho qualquer, até do tipo “jacaré”.

         Foi desse jeito que se deu todo o descaso presidencial nos cuidados e nas medidas que deveriam, na condição de primeiro mandatário, ter sido tomadas e não tomou, sobretudo em convênios com laboratórios de outros países que em meados de 2020 foram colocados à sua disposição e, mesmo diante do gravame e do avanço das mortes, permaneceu silente, inerte, sem tomar nenhuma providência e, sempre com a deixa de terceirizar responsabilidades, sobretudo para os governadores, prefeitos e o STF, que segundo o presidente, deu poderes extraconstitucionais para, tanto mandantes das unidades federativas estaduais, quanto municipais, que poderiam tomar as medidas necessárias e suficientes para cuidar de suas próprias populações, o que em parte foi feito, não no molde como deveria ter sido sob a liderança da autoridade máxima da Nação, que em momento algum deu sinais de liderar o combate à pandemia, a não ser com o seu kit formado pelos ingredientes medicamentosos ativos de hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, que, embora não tenha comprovação científica no combate eficaz ao vírus, mesmo assim ele impôs esse tratamento no meio médico, em que alguns da classe, prescreveram e prescrevem, a falta de uma medicação cientificamente eficaz, provocando, quem sabe, talvez a cura induzida psicologicamente de alguns ou a aceleração de morte de outras pessoas.

         Na catarse social da pandemia, nos bastidores a economia sendo destruída, nossas riquezas sucateadas e leiloadas a preços de bananas, o desemprego crescendo vertiginosamente e a fome se alastrando em todos os recônditos de nosso país. É dentro deste contexto que foi e vem sendo conduzida uma questão sanitária nunca vista no Brasil.

         Então diante de uma situação catastrófica a que chegamos, com mais de 400 mil mortes em solo pátrio, algo nunca dantes visto, alguma medida do legislativo, ainda que a contragosto do presidente da república, mesmo que esteja esperneando e ameaçando de todas as formas parte do povo e instituições, que é isso que ele sempre fez desde que resolveu se candidatar a presidente da república, e especialmente depois que assumiu, ainda se considera um semideus, mesmo assim acredita que tudo pode, inclusive alardear por fazer um novo “grito de independência”, algo que ele não fez pelo seu próprio povo e, na insensatez própria de um tresloucado sem controle, quer impor o que acredita que ele quer como seja e com isso, faz com que muitos que ainda o seguem, acreditem piamente que ele é o senhor e feitor da razão, quando alguém de sã consciência tem certeza absoluta que ele foi a pior coisa que já veio a governar este país. Sinceramente, alguma coisa teria e tem que ser feita.

         O pior de tudo isso, é que, o insensato, não aceita a sua insensatez, a sua insanidade; o mentiroso, acredita nas suas próprias mentiras, faz com que acreditem como se verdadeiras fossem, como vem fazendo o presidente Jair Messias Bolsonaro, tão-somente para fortalecer o seu egocentrismo desvairado, na sua condição de mais um político farsante, enganador, tripudiador, na sua incontida sandice de encantar uma infinidade de mentes insanas e insensatas como ele, que não assume a sua “mea culpa” desse genocídio que por ação equivocada, medias incompletas, criminosas, atemporais e por omissão, levou nosso Brasil a mais de 400 mil mortes pela pandemia. Um exemplo clássico é a falta de oxigênio no estado do Amazonas, especialmente em Manaus, onde muitas vidas foram perdidas pelo afogamento em pleno ar, pela asfixia, algo aterrorizante de se ver.

         Nunca se imaginou na nossa história que uma atrocidade de tal monta, com tantas famílias enlutadas e vertendo lágrimas pelos seus mortos, viesse a acontecer em nosso país. Certo que a questão é mundial, porém o diferencial é o fato de que, alguns povos souberam cuidar de si porque acreditaram na ciência, nas medidas preventivas que deveriam se tomar e estão se saindo dessa calamitosa situação. Quanto a nós, pobres brasileiros mortais, em que a cada dia se espera não vir a ser contaminado pela covid-19, que pelo menos a CPI desnude, abra as veias de sangue, sobre tudo que aconteceu e está acontecendo, e que os responsáveis paguem com o mesmo sangue de vidas que antes de virem a ser perdidas, poderiam ter sido eximidas do fator fenomênico finalístico morte. É isso que grande parcela da população clama.

         Que a CPI não venha a se transformar num palanque político, mas que venha a esclarecer e recomendar punições aos responsáveis por esse calamitoso desastre sanitário inimaginável pelo qual estamos passando, por responsabilidade e culpa de políticos, parte da população, mentirosos, insanos e negacionistas. Não dá para acreditar que chegamos a mais de 400 mil mortes em pouco mais de ano. É triste e doloroso para quem perdeu um ente querido em cada família brasileira. A insensatez não poderá jamais prevalecer diante da razão visível e palpável.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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