O Pior Ano de Minha Vida

 

          Você já imaginou a pior coisa ou fato que pode acontecer em toda sua vida? – Coloque o seu pensar por alguns instantes a digladiar no tempo e multiplique pelo maior número que você puder pensar e no quilométrico resultado que vai dar!

              Pois bem, é isso que aconteceu com minha pessoa no dantesco ano de 2018. Para mim foi o pior ano de toda minha existência. Não posso negar que houveram algumas poucas coisas boas, positivas, mas nem mesmo a melhor delas pode superar a perda irreparável e irreversível que vim a ter em mês bem próximo daquele final de ano que não retroage jamais.

               Não quero aqui ser espelho, vitrine ou externar o que sinto para aparecer como vítima ou “coitadinho” e gerar torpor, sentimentalismo ou pena. Não preciso de nada disso, porque o que ocorreu comigo é algo indescritível que alguém que estiver lendo este texto pode até imaginar, mas jamais poderá mensurar ou adentrar no meu eu introspectivo e sentir a minha mais profunda tristeza e dor de todo esse caminhar.

              Não sei o que fazer; explicações não as encontro em parte alguma até o momento; sinto-me impotente por nada poder ter feito mudar daquilo que está feito, porque o que de mais precioso que a gente tem que é a vida e de que, esta, a qualquer momento irá perecer de vez, então existem mesmo fatos, acontecimentos e coisas em que buscamos uma resposta e não encontramos e jamais vamos encontrar ou aceitar, porque a minha perda é uma das maiores que um ser humano dotado de amor, sentimentos, emoções como qualquer uma outra pessoa que tenha essa sensibilidade humana, todos estes sentimentos juntos, eu também os tenho e disso, não consigo e jamais vou me afastar até os últimos ou o último dia de minha vida.

             Esquecer? – Como vou esquecer de um pedaço de mim que vilmente foi tirado e que não encontro nenhuma justificativa ou explicações que venham a amenizar a minha dor, a diminuir a minha tristeza e dirimir as tantas dúvidas que pairam dentro de meu eu ontológico, que só eu mesmo sei o que sinto e não sei explicar! – Nada vai me convencer o contrário, apenas interrogações, questionamentos e mais indagações vão surgindo intermitentemente e vão ficando cada vez mais sem uma resposta, porque tudo em mim ficou num infindo vazio, aonde sequer sei onde estou, num mundo que sequer nós que nascemos, ninguém sabe para que, vivemos até um ponto incerto da linha do tempo e morremos ninguém sabe por qual mistério e sequer certeza temos para onde vamos.

             A fé é muito importante para quem a tem, porém até mesmo os que têm uma crença profunda duvidam, questionam em determinados momentos de dor, aflição e tristeza, o que de fato acontece no curso da vida para que determinadas coisas, fatos inaceitáveis venham a acontecer no decurso de nossa existência.

              Não estou me justificando. Acredito ter procurado dar o melhor de mim. Posso até ter falhado em alguns pontos, mas sempre pensando no melhor para as minhas sementes e extensivamente para todos os que sofrem também. Nunca vivi num mundo de egoísmos, numa redoma de ambições desmedidas ou de ganância, porque sempre vi nos meus a minha continuidade e naquelas pessoas que acreditam em mim, uma esperança de confiança por um mundo melhor.

               Por isso mesmo é que me arvoro, afirmo abertamente que àquele ano para mim, foi o pior, mais dantesco e cruel de toda minha existência, na minha vida não pode ter existido algo pior, porque se forças tivesse, eu o riscaria da linha do tempo, teria feito um buraco negro sem fundo, e o teria pulado, mas isso é impossível de acontecer, porque o tempo é impiedoso e sempre vai fruindo como um moto-contínuo infindável que não pode parar e só peço que esse desgraçado ano desapareça de vez, que apesar de ter ficado marcado em minhas veias e no meu peito, a maior das cicatrizes, ele jamais saíra de minha vida, porque tirou de mim o que de mais amado e importante existia como um de meus pedaços de vida.

              Então que vá tarde e atrasado ano desgraçado e miserável! – Sei difícil de suportar, mas assim mesmo vou tentando nesta dor que me atormenta, na tristeza que me consome, regando as flores que ainda estão a enfeitar o meu jardim, que também são parte de mim e uma destas flores vai sempre ficar como uma das mais belas, pungentes e perfumadas que já existiram no meu jardim de vida.

             Filho amado e querido, você se foi. Sei não mais voltarás, mas de uma coisa tenhas certeza, deste meu coração enquanto pulsante, mesmo já arquejando, você deste jamais sairá, até a luz derradeira se apagar de uma vez por todas.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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