Meus Queridos Terroristas de Estimação

             Desses acampamentos bolsonaristas, com a complacência das forças de segurança pública e de grande parcela das FFAA, não poderia sair outra coisa, os atos terroristas praticados no dia de ontem (08.01.2023), na invasão, destruição, danificação, e o principal, o tapa na cara levado pela democracia brasileira, e na dignidade da república brasileira e isso é inaceitável.

         Existem várias explicações e justificativas para os atos praticados neste fatídico último domingo. No meu entender, não existe explicação alguma para o que aconteceu, porque dos supostos acampamentos golpistas ditos pacíficos, sobretudo por quem deveria por dever e obrigação, proteger as pessoas, o patrimônio público e a democracia, isso não restou demonstrado nesse dia de horrores praticados contra os prédios públicos da Esplanada dos Ministérios, do Congresso Nacional e do STF.

         Foram puros atos não de vandalismo tolo ou desimportante praticado por quem invade num protesto qualquer, até mesmo de reinvindicação salarial, mas sim, foram ações de quebra-quebra, de destruição do patrimônio público, de obras de arte que jamais serão recuperadas e de bens imateriais que representam a república e a democracia brasileiras. Sinceramente, não dá para acreditar que isso aconteceu de verdade.

         Pior é o fato de saber que, as forças de segurança pública, poderiam ter previsto, principalmente com a movimentação de transitar pessoas em ônibus justamente nesse dia e que já vinha sendo planejado esse esquema desde uns dez dias anteriores, tempo bastante e suficiente para que as autoridades, através de suas inteligências, pudessem perfeitamente ter tido o conhecimento prévio bem antes, para conter todo esse ardil de atos terroristas que essa gente bolsonarista criminosa praticou.

         Foi uma destruição gratuita e desnecessária, que não existe explicação alguma, muito menos, das autoridades que deram apoio a esse pessoal, desde os financiamentos na ponta inicial, às forças de segurança pública, das forças armadas, que prevaricarem no seu mister de dever e obrigação de defenderem a democracia, mas não o fizeram. Acharam por bem em passar a mão e até abriram o caminho para essa esdrúxula invasão dos prédios públicos dos três poderes da república. Pode-se até não se ter a melhor das melhores das democracias, mas ainda assim, se há de se optar pela democracia.

         Até mesmo, há de se acreditar, que o atual governante que numa festa democrática, assumiu o poder sete dias antes, poderia ter perfeitamente percebido a intenção desse pessoal, pelo histórico de violência já por eles praticados, sobretudo quando da diplomação do atual presidente e isso seria motivo de ter se tomado as devidas precauções para resguardar a segurança. Há de se indagar: E se essa ação terrorista tivesse acontecido num dia de expediente?

         Agora que Inês está morta, é chorar o leite derramado, tentar cicatrizar as veias abertas nessa ferida dos brios da democracia brasileira, descobrir a todo custo um por um os culpados e fazê-los pagar através do devido processo legal e na cadeia, porque é esse o lugar de criminosos, pelos seus crimes, que em muitas circunstâncias inocentes pagam pelos verdadeiros vândalos e criminosos.

         Existem determinados ministros estratégicos, a exemplo de um José Múcio Monteiro, que está no governo para passar a mão nesses golpistas, inclusive um seu assessor estava nesse movimento terrorista e que culminou com toda essa destruição, desordem e depredação do patrimônio público e isso é inaceitável. Com um ministro desses que foi imposição das forças armadas, melhor abrir os olhos e manda-lo às favas, mesmo que venha a escolher um outro que seja fiel e leal ao atual governante. Ministro traíra não deve integrar a equipe de governante algum.

         No final de contas, o mentor e feitor de tudo isso, que vem plantando essas ideias nas cabeças de seus seguidores há mais de quatro anos, tem endereço e nome certos, trata-se do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, que investigado a fundo, deverá da mesma forma que esses terroristas, pagar também pelos crimes cometidos, até porque formou um exército de aloprados que vivendo num mundo paralelo, acreditam estar fazendo a coisa certa, quando ao acordar, podem se encontrarem na cadeia, pagando um processo e vir a pegar anos a fio de cadeia e aí o arrependimento tardio, se torna inservível.

         Presos, processados e condenados, talvez quem sabe, quando vierem a acordar desses delírios que insistem em acreditar, aí talvez já seja tarde, porque numa democracia não tem vez para criminosos, muito menos quando praticam atos de terrorismo, que emblematicamente vai ficar na mancha escura na nossa história, porque fato dessa natureza nunca dantes foi visto no Brasil, que a todo custo deve lutar para manter e preservar a democracia.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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