O Esgoto da Lava Jato

          A história brasileira nos demonstra claramente que o nosso povo foi explorado por colonizadores portugueses, uma parte da elite branca europeia que mandava e outra, de degredados que àquela sociedade queria se ver livre, porque era composta por condenados, criminosos e todo tipo de gente que Portugal não queria no seu reino.

         Pois bem, aqui aportaram, com a cruz da Igreja Católica Apostólica Romana para abençoar e colocar o manto sagrado de Deus em cima de criminosos, que logo ao chegaram, o primeiro ato foi contatar uma população nativa indígena, enganá-los com quinquilharias e logo depois, promover o genocídio desse povo, lhes tomar as suas terras, matar a maioria dessa população, que na época era em torno de três milhões de pessoas e dividir a colônia em treze capitanias destinadas de mãos beijadas aos potentados portugueses para explorarem do jeito que bem quisessem e entendessem e assim foi feito.

         Logo depois do início do genocídio do povo indígena, foram na mão escrava do negro importado à força do Continente Africano, para escravizados darem de graça a sua força de trabalho a troco de nada. A paga era humilhação, aprisionamento, tortura e a comida era a mesma destinada aos porcos. Era esse o Brasil logo no início de sua formação antropológica e sociológica, que deu em tudo que está aí.

         Então o que se esperar num país em que, colonizado por uma escória dessa natureza, em que das treze colônias iniciais, somente duas prosperaram, a de São Paulo e de Pernambuco, outra coisa não se poderia esperar na formação de estruturação econômica, sociológica e moral, porque não poder-se-ia sair algo melhor do que pior que veio parar no Brasil Colônia para explorar o nosso país. Ainda por cima, a pretexto de expandir nosso território, Bandeirantes criminosos, em nome do Catolicismo Romano, de uma cruz manchada de sangue dos nativos e escravos, a gente não poderia se tornar em outra coisa, senão neste país vergonhoso que hoje somos de verdade, em que a mesma mentalidade ainda tenta dominar nossa gente.

         A ligeira explanação histórica é para demonstrar a origem dantesca de onde viemos, o que só vem a demonstrar no que nos tornamos historicamente, porque outra coisa não poderia ser, senão o que estamos vivenciando depois de mais de quinhentos anos de exploração de uma sociedade que ainda não perdeu a mentalidade marcada com características escravocrata de dominação e que pelo visto vai se protrair mais quinhentos anos pela frente e dificilmente essa mentalidade e concepção de vida mudarão.

         Vejam, observem atentamente do ponto de vista histórico de nossa formação estrutural, no que realmente nos tornamos. A nata social branca continua no domínio de uma manada de pessoas que mansas, pacífica e obedientes só tem que obedecer as ordens dos mesmos colonizadores iniciantes, em que só houve mudança mesma na roupagem e nos métodos que se utilizam para se perpetuarem no poder de manda a serviço sempre das castas sociais e dos poderosos ocasionais daqueles que dizem ser o palmatória do mundo, é esse o Brasil real em que vivemos.

         Depois da república, de salto em salto o país vive de golpes perpetrados por militares, que sempre estiverem à serviço da nata social e o restante, a escória, sempre tem que estar sob rédeas curtas para não se dispersar e ficar fora dessa secular dominação. A opressão, o medo, a chibata mudaram de formas instrumentalizadas de continuarem com o domínio de tudo, que vem passando de pai para filho, herança maldita que deve ser mantida a qualquer custo. Até hoje tem parasita que nunca deu um “prego numa barra de sabão”, como diziam meus pais, para quem era preguiço, não fazia nada e aparentava fartura na vida.

         A Lava Jato, como tantos outros, foi só mais um instrumento inventado pelas forças ditas superiores, castas de dominação com a chancela do Judiciário, para que privilégios permaneçam intactos, porque os herdeiros parasitários da colônia, do império e depois da república, não devem ser perdidos para a maioria da escória social deste país e, isso restou muito claro com essa operação, que quem tenta mexer em privilégios para destinar a uma maioria esmagadora de desfavorecidos, deve a qualquer custo pagar por isso, pouco importando os meios utilizados, que ilegais ou não, contanto que tenham a feição de legalidade e isso aconteceu com essa operação que teve sob o comando do ex-juiz Sérgio Moro e do Procurador Federal Deltan Dallagnol, que hoje envergonham este país e de quebra, o Judiciário instrumentalizado que foi, chancelou atos criminosos para criar até uma República no Paraná dentro do próprio território nacional, em que essas pessoas reinaram absolutos por um bom tempo como heróis, super heróis e representantes de uma moralidade perdida que este país nunca teve.

         Simplesmente esse pessoal, mancomunados com tantos outros da pior estirpe que se pode imaginar, instrumentalizaram a Justiça, combinaram a formação de processos desde o seu nascedouro para condenar quem parecia ter culpa no cartório e até quem sequer dava sinais de que tinha e com isso, a Lava Jato se tornou nesse esgoto em que veio a se transformou depois de todo o lixo, excrementos que veio a ser jogado para fora, graças a ação corajosa do Intercept que não poupou ninguém e demonstrou inequivocamente quem era quem nesse jogo imoral do tabuleiro chamado Brasil, em que na verdade nunca passou de uma invenção da castra social parasitária, em conluio com políticos inescrupulosos venais, indecentes e imorais para que ninguém viesse a perder privilégios e isso todo mundo está vendo no momento a que se prestou a denominada Operação Laja Jato, que teve o seu nascedouro lá no final de 2013 com a prisão do doleiro Youssef, a mando do então juiz Sérgio Moro, numa operação do Banestado do Paraná, que esse juiz ajudou a quebrar um dos mais sólidos bancos estatais do país, que no desenvolver de tudo isso, esse doleiro foi condenado a 122 anos de prisão, mas na primeira delação premiada aceita por esse alcaguete de juiz federal, ele, o doleiro (diga-se agiota), não chegou a passar três anos na cadeira e ainda por tabela, foi instrumento para a condenação de muita gente na Lava Jato.

         Diga-se também que no decurso dessa malfadada operação, esse imoral juiz federal e a procuradoria, promoveram a quebra de várias empresas nacionais, certamente à serviço dos Estados Unidos, que até acordos com o FBI americano chegaram ilegalmente a selar e, uma dessas empresas que já tinha várias obras tocadas mundo afora, veio a quebrar, seu dono foi preso, mais de 150 mil empregados perderam seus empregos, além de terem se apropriado de 2,9 bilhões de dólares da Lava Jato, em nome de uma falsa moralidade que nunca existiu. O crível de tudo isso, é que ladrões também estavam no comando da Operação Lava Jato.

         Então está mais do que claro, que na verdade, a Lava Jato, foi um instrumento que, a pretexto de combater a corrupção, veio a se transformar no maior antro de corrupção instrumentalizada juridicamente, deste país e o ex-juiz, sua equipe, o Procurador Deltan Dallagnol e sua equipe, devem pagar pelos crimes que cometeram, porque na condição de sempre crítico ferrenho dessa operação, quando passou a ser instrumento de manipulação para fins de interesses das castas sociais e políticos, se tornou num grande esgoto de onde se saiu excrementos bem piores do que os seus mentores e condutores inicialmente idealizaram, razão pela qual, essa gente tem que responder pelos seus crimes e irem parar na cadeia para onde eles mandaram muita gente.

         A Lava Jato, como está demonstrado, hoje só exala mesmo odor da pior insuportabilidade que um cidadão de verdade pode sentir, não esses que se pintam como de “bem”, que falsamente existem aos montes por aí a continuarem roubando, usurpando e fazendo farras homéricas com os dinheiro e riqueza que de direito eles sim, foram quem roubaram do povo brasileiro, que tanta preocupação têm o status quo atual, para manter a todo custo, inclusive com a ameaça real e iminente de mais um golpe neste país, que na verdade sempre foi o Brasil dos golpes continuados. É só ver a história, cara-pálida! – Esperem mais quinhentos anos para ver se tudo não vai estar do mesmo jeito, pelo menos em termos de mentalidade, porque está sempre vai se protraindo de pai para filho, de geração em geração, com o passar do tempo, como chegou até nós desde lá no início quando de nossa colonização por essa escória social privilegiada.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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