A terra, para os donos que primeiro nesta viveu

     Claro e evidente, que a luta por ocupações de áreas de terras e de populações, vem de longas datas, desde mesmo os donos da própria terra que foram os nativos, bem antes mesmo da colonização e luta desigual pela dominação entre uma parte sempre mais forte contra uma parcela mais fragilizada de muitas populações nativas, que antes mesmo dos homens brancos, principalmente os europeus, virem a dominar grande parte do mundo ocidental.

     Evidentemente que esse fator fenomênico de dominação teve a sua disseminação em todas as partes do mundo, não somente pelas bandas do ocidente ou oriente, mas em mundo diferentes, em que as civilizações vieram a surgir a mais de cinco mil anos antes de Cristo. Como indica a história, as primeiras cidades surgiram há em torno de 3.500 a.C, tendo se desenvolvido na Mesopotâmia, em torno do Rio Eufrates e a partir se deu a sua expansão mundo afora ou em regiões isoladas onde povos diferentes também existiam, sendo um dos exemplos a civilização Inca do Peru e desde então, que essas civilizações diferenciadas e em muitos casos sem sequer ter a menor ligação uma com a outra, foi se expandindo mundo afora, tendo na região Nórdica, de dominação pelos vikings os maiores navegadores que já existiram em nosso Planeta, que também lutavam entre si para conquistas além de chegarem ao ponto de conquistarem várias regiões do próprio mundo ocidental.

     A questão que me veio à tona nesta digressão foi o fato de que o Brasil não teve como descobridor o lusitano Pedro Álvares Cabral, embora a história oficial assim nos ensino, porque na verdade esta região localizada no Cone Sul, já houvera tido investidas de outros povos, a exemplo dos espanhóis, franceses e holandeses e, o que deu mesmo aos portugueses a primazia de colonizar a região brasileira, foi o Tratado de Tordesilhas firmado entre portugueses e espanhóis, dividindo na cartografia as regiões latinas em duas partes e dentro de determinados limites para que cada uma dessas potências da época pudesse vir a ser senhores e feitores da colonização de ambas as vastas regiões de interesses de dominação de ambos, esta é a realidade.

     Em face desse tratado, com meio locomoção pelos mares, passaram a invadirem e dominarem essas regiões que de certa forma já tinham donos, posseiros, que eram os nativos e, ao invadirem, os dominaram, tomaram as suas terras e essa luta ainda se perpetua até os dias atuais e, não satisfeitos, com a nova mentalidade do atual governante, querem ainda aumentar mais essa área de dominação de terras que lá há mais de quinhentos anos, pertenciam em sua totalizada ao povo nativo, aos índios e não satisfeitos no mundo de hoje, quererem ainda mais avançar naquilo que restou do vasto território que antes da dominação do povo branco europeu era dos nativos, a mim me parece querer de vez aniquilar o que sobrou dos indígenas do Brasil e isso é deveras inadmissível, porque não dá para entender como com essa política de enriquecer ainda mais os ricos, sob o pretexto de que os nativos nada fazem, são preguiçosos e em nada contribuem para a economia do país. Não há a menor procedência essa forma de pensar, isto porque, antes mesmo de todo território nacional ser de posse e propriedade das populações indígenas, esta veio a ser forçosamente dominada pelas populações brancas, que exploraram tanto povos indígenas, quanto populações africanas que foram trazidas para o Brasil como coisas, objetos, para escravizadas virem a ser usadas juntamente com as populações nativas de mão-de-obra escrava, justamente para satisfazer a ganância e objetivos de riqueza dos brancos europeus que a bem da verdade, o que fizeram foi roubarem impiedosamente as terras de quem nesta viviam, então não dá para acreditar nesse argumento de que as terras indígenas têm que ser produtivas, porque eles são preguiçosos e nada produzem.

     Então gente, não me venha com esse argumento nazi-fascista de terminar de eliminar o que sobrou dos povos indígenas, a pretexto de usar as áreas de suas dominações, para que venham a ser produtivas, porque o que existem de terras devolutas por este país afora não está no gibi e esta esfarrapada justificativa não convence ninguém de bom senso, só mesmo os que encampam essa distorcida idéia dos fatos histórico, porque na verdade, os ladrões das terras indígenas foram os nossos antepassados e por tabela, nos também somos ladrões daquilo que antes mesmo de nascermos pertencia aos nativos, esta é a verdade que muitos não querem enxergar.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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