Mais Um Dia de Finados

Geralmente é mais cômodo para cada um de nós, falar sobre os vivos, mas se a morte é uma fatalidade inexorável, como consequência da vida, desta não podemos também nos furtar, por isso mesmo é que vou escrevinhar sobre a morte neste dia.

Para a morte não se pode de forma alguma se dizer que existe um dia específico, mas desta ninguém pode se furtar, se esconder, se guarnecer por mais que seja a estrutura engendrada, por mais bem montada cientificamente que venha a ser, porque não existe ciência alguma que possa ainda superar este fator fenomênico denominado de morte. Os avanços científicos, podem crer, jamais irão superar este fenômeno natural da vida, que é a morte.

Pouco importa o status quo social em que o indivíduo ou quem quer que seja usufrua, porque na realidade, a única certeza da vida é que um dia esse encontro marcado com a teratológica morte virá inevitavelmente e aí não existe o montante de dinheiro que alguém possa ter, a quantidade de bens materiais que conseguiu constituir, porque essa ceifadora de vidas não perdoa ninguém. Pouco importa, se rico, pobre, a opção de modus vivendi, a cor da pele ou a estrela que alguém imagina ser. A morte sai tragando toda e qualquer vida, independentemente de sua condição social. Na horizontal todos nós somos os mesmo vermes de sempre.

Nasceu, cresceu, viveu, não existe a menor dúvida, vai um dia morrer. Geralmente se espera viver o bastante, porém nem sempre esse bastante pode ser considerado longo, porque alguém pode ter o seu viver abreviado por circunstâncias que não se esperava ou até por algum fator impeditivo misterioso que vem sem mandar recado e termina por tirar a vida de quem quer que seja, pouco importando o sujeito do direito da morte.

A tradição do “Dia de Finados”, vem de longas datas. Desde o Século XI, que o povo Celta, na França, deu início a essa tradição de venerar os seus mortos e foi através dos papas Silvestre II, João XVIII e Leão IX, que se olvidou por bem oficializar essa tradição pela Igreja Católica, porém todos os povos, de conformidade com as suas tradições personificados, a sua cultura e o modo de vida, tem a sua maneira de homenagear seus mortos e seus entes queridos, daí com no decurso do tempo o “Dia de Finados”, veio a se firmar em quase todas as partes do mundo, como um dia especial destinado a cada pessoa se voltar para seus entes queridos que se foram.

Não dá para buscar ver este dia como um dia exclusivo dos mortos, porque a bem da verdade, todos os dias é só mais um lapso temporal de quem tem no coração a dor, a tristeza, o sentimento na alma, de ter perdido um ente querido, que na verdade por toda a sua vida, que da mesma forma será ceifada também, ninguém jamais esquece, enquanto não se torna da mesma forma, somente mais um finado também a ser tragado impiedosamente por vermes putrefatos em que cada um de nós vai se transmutar.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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