Ex-Juiz Apronta e se Candidata a Presidente

          Não somente em nosso país, mas acredito que no mundo todo, o ser humano vir a ocupar um cargo da magnitude de julgar outras pessoas pelos seus malfeitos, deveria quem nele fosse investido, ser uma pessoa extremamente zelosa, respeitosa, digna, honrada, ética e dotado de condutas moral e social ilibadas.

         Como nem todas as pessoas são iguais e no geral, buscam se utilizarem de seus cargos para destes abusarem do poder que chegaram a concentrar nas mãos, não para apreciar causas, julgar com imparcialidade e colaborar com a pacificação social de determinada parcela da população da qual, depois de um processo específico, foi escolhido para servir.

         No mundo real das coisas não é assim que acontece, especialmente em nosso país. A partir do momento que qualquer pessoa que preenche esses requisitos para vir a ocupar um cargo de alta magnitude como a de um magistrado ou magistrada, a primeira coisa que se pode perceber, é o comportamento diferenciado do indivíduo com relação às demais pessoas que fazem parte de determinado nicho social a quem deveria prestar o seu mister com dignidade, usar dos meios legais para fazer justiça, no entretanto a mudança de supremacia logo aparece estampada no rosto e em comportamentos.

         A maioria, ou quase todos, passa a se ver interiormente num pedestal acima de todo mundo, se deixa embevecer pela soberba, pelo orgulho, o poder de quem concentra nas mãos a caneta de quem pode decidir tudo, e aí poderá se perder na missão de buscar fazer o que deveria de conformidade com os primados legais e passa a agir a serviço, não do fazer justiça e ter o espírito colaborativo para ajudar na pacificação social. A partir de então, o que deveria ser um representante de proteger os mais fracos, passa a agir despoticamente, a cometer atrocidades em nome da lei, instrumentalizando a justiça, para atender aos seus próprios desejos megalomaníacos de poder e até chegar ao ponto de se considerar um Deus intocável, porque é assim que acontece com àqueles advogados e advogadas que seguem o caminho da magistratura. Chega a um ponto de se tornarem dotados de tanto autoritarismo, que não mais respeitam os mais comezinhos direitos inalienáveis das pessoas comuns, abandonando-as às suas próprias sorte nos putrefatos e desprezíveis calabouços carcerários, que ao invés de reeducar o infrator, o tem transformado numa pessoa bem mais perigoso e impossível do convívio social manso, pacífico e ordeiro. Pior é ver inocente pagando pelo que não fez ou alguém que em liberdade, poderia responder a processo, sem nenhum perigo à sociedade da qual é parte integrante.

         É dentro dessa ótica que as coisas no meio jurídico acontecem no Brasil. Veja que o ex-juiz Sérgio Moro, chegou a mandar prender pobres agricultores, afora outras prisões ilegais, os humilhou às agruras de uma prisão, a ponto de muitos desses que foram aprisionados, não terem se recuperado do trauma enfrentado com essa medida déspota jurídica tomada por um juiz que deixou de lado o seu ofício, sendo depois de todo esse sofrimento, virem a ser absolvidos e considerados inocentes. Tudo isso fez o ex-juiz, para atender a lados políticos e a partir daí, agigantou com a Operação Lava-Jato, se projetou como um falso paladino da justiça e da moralidade, porém no final das contas, o juiz tinha lado, era só mais um justiceiro de quem não andava pela cartilha dos poderosos ocasionais e, depois de tudo de nefasto, dantesco, de ter instrumentalizado a justiça para obtenção de certos e determinados fins alheios às frias letras da lei, agiu à margem desta, prendeu por prender, arrebentou e hoje, um sujeito desses, vem com a maior desfaçatez, cara de pau, depois de ter quebrado todos os preceitos que deveriam nortear a conduta de um juiz, a se candidatar a presidente da república brasileira, o que se configura numa extremada ofensa à própria justiça, aos que por ele foram injustiçados e ao povo brasileiro de um modo geral. Chega ser patético, depois de tudo isso! – Era para estar na cadeira.

         Um sujeito como Sérgio Moro, antes de ser candidato à presidência da república, por um partido criado por um suposto corrupto, Senador Álvaro Dias, para quem usou falsamente essa bandeira para se promover nos holofotes midiáticos, deveria antes disso, vir a pagar pelos crimes que cometeu, mas se candidatar a presidente da república e ainda ter um considerável número de eleitores, que por qualquer deslize das candidaturas que estão à sua dianteira, poderá vir a sagrar-se presidente, aí sim, depois desse trauma com um oligofrênico dirigindo a república brasileira, é para se desalentar de vez com esse pútrido mundo da política de nosso país, sem com isso querer colocar a falsa pecha de que assim deve ser por si mesmo, porque não deve.

         A boa política ainda deve ser encampada por quem realmente tem por dever e obrigação encarar a função política como um sacerdócio e a nossa juventude, diferentemente do que estão buscando inculcar na cabeça desses jovens, deve buscar se informar mais, deixar os meios digitais um pouco de lado e se preocuparem mais em estudar a sociedade que futuramente vão comandar e para isso, um dos ingredientes mais importantes é buscar se focar no humanismo que está praticamente perdido, mas que poderá ser reencontrado o caminho de volta. Basta querer que, quem sabe no futuro, ainda seremos capazes de ter pessoas mais dignas, do que os crápulas que hoje temos a nos comandar. Vai ser uma tarefa árdua, porque muitos “hitlerzinhos” estão sendo doutrinados para esse futuro incerto que haverá de ser enfrentado.

         Que cada um veja o caso com o olhar de isenção e se questione: como pode um sujeito que foi um juiz parcial, irresponsável nessa função, como ter a pretensão de ser presidente deste país, depois de ter aprontando tando? – Pensem nisso com carinho!

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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