Poder Em Buíque é de Sucessão Hereditária?!

                 Não dá para acreditar num povo em que espoliado e usado ao bel prazer desse pessoal, não tem a menor noção da intenção desses mandatários, que imerecidamente são eleitos, reeleitos tantas vezes quanto o poder do dinheiro puder comprar e, nesse embalo cada casta hereditária quer se perpetuar no poder através de filhos, netos, parentes e aderentes e isso não dá para que uma pessoa conscientizada venha a aceitar tudo de boca fechada. Pior é mudar esse cenário, porque é muito difícil quando o povo não tem a menor noção do que acontece, a exemplo de outros municípios brasileiros.

          Como é que a gente pode ver tudo que vem acontecendo em Buíque, e àquela mesma cantilena enganosa de que “está nas mãos de quem faz”, mas fazer o que de serventia duradoura e permanente em benefício de uma população em que 70% é composta de pobres, outros tantos de analfabetos, desassistidos socialmente, mesmo assim o povo vive conformado e não muda, porque quando é chegada a época de eleição, o peso do nível vale muito mais do que o bem-estar social de cada um e termina todo mundo levando essa terra do cordão umbilical embrionário, que vai se enterrando cada vez mais para o brejo, num grandioso buraco de areia movediça, porque é para isso que se está caminhando. Noutros lugares ainda há reciclagem de poder. Aqui isso não acontece há muitos anos e ninguém sabe até quando esse status quo vai mudar, vivendo-se numa mentalidade de dominação e escravagista como vive esse povo, desassistido, analfabeto, pobre e sem ter nenhuma perspectiva de vida.

          Todos os que vivem dentro e fora dos limites dos Campos de Buíque, explorado inicialmente pelo capitão do mato Félix Paes de Azevedo, que veio para cá e fundou esse lugar com as benesses do rei de Portugal, que essa terra tão rica, bela e sedosa, não sai do lugar, não progride, a não ser para uma meia dúzia que faz parte da realeza ocasional que tem assento na cadeira do poder de mando. Hoje quem manda e desmanda são os mesmos capitães do mato lá do passado, travestidos somente na moldura de uma nova vestimenta mas sempre com a mentalidade dominadora de quem não permite o revezamento de poder e com isso, quem sai perdendo é o próprio povo.

          Como buiquense nato, conheço bem essa terra e muitas das pessoas que nela habitam, mas nunca vi, não dá para se perceber nenhum ação de alguém fora desse eixo bipolarizado, para efetivar pelo menos uma reciclagem política que tanto precisamos, ou será que Buíque vai continuar nessa mesma falsa ou farsa cantilena que tanto eu mesmo, quanto muita gente já estamos saturados, a ponto de explodir e mandar tudo para o Inferno, porque a continuar nessa mesma caminhada, buiquenses, ninguém vai sair do velho atraso da cantiga da perua, que sempre ouvi os velhos dizerem, “de pior a pior!”. Essa nossa terra, gente, pelo visto não jeito de forma alguma!

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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