Nunca Comi de Graça Em Prato de Ninguém

 

         Não tenho obrigação a dar satisfações a quem quer que seja sobre a minha vida e meus atos no decurso desta praticados. Dos públicos é de conhecimento de todos; quando aos privados, só a mim interessa, porque cada pessoa deve tomar conta de seu próprio umbigo. Outra mais, se já observaram, nunca gostei muito de comer nem mesmo um tira-gosto na casa de político nenhum.

         Sou um cidadão como outro qualquer que vive em sociedade e, como tal, tenho o sagrado direito de opinar livremente, desde que dentro das limitações sem que venha a ferir a pessoalidade de ninguém, a não ser que seja merecedor do que coloco na mesa com fundamentos óbvios dos fatos que aconteceram e acontecem ao longo no dia a dia e ao longo da história.

         Da mesma forma não me vejo na obrigação de estar chaleirando personalidade nenhuma, fato que nunca fiz por toda a minha vida. Agora, abrir a boca e dizer que “cuspo no prato que comi”, isso é desconhecer a minha própria história e a retidão de caráter e ética na condução de misteres que cheguei a ocupar seja na iniciativa privada ou pública. Sei de meus limites e de responsabilidades peculiares de cada encargo que na vida já enfrentei.

         Na vida pública, ocupei o cargo de procurador municipal em Tupanatinga por 13 (treze) anos. Fiz o meu trabalho e não deixei sem defesa os processos sob a minha responsabilidade e cheguei a resolver para àquela municipalidade uma dívida trabalhista de um milhão de reais, encontrada logo que assumi o cargo que ocupei naquele município. Já aqui em Buíque, ocupei várias funções de assessoria jurídica em gestões diversas e por último, cheguei a ser procurador geral por 3 (três) anos e 9 (nove) meses.

         Durante esse tempo nunca deixei de cumprir com a minha obrigação na defesa de mais de setecentos processos do município e nunca deixei de dar expediente no horário determinado para ocupante desse cargo de confiança ou em comissão.

         Não foi uma dádiva graciosa ter ocupado esse cargo, mas acredito tê-lo ocupado por merecer e por ter trabalhado na campanha da candidatura que apoiei, chegando inclusive, a ser processado pelo candidato contrário, processo esse que certamente foi atingido pelo cutelo prescricional da pretensão punitiva estatal. Desafio a qualquer um desses políticos, se cheguei a fazer mercancia de meu voto e de meus familiares, sendo tais apoios fruto de participação na administração, não para meramente figurar como ocupante de qualquer cargo e receber sem nada fazer. Cumpri com o compromisso e tive a devida responsabilidade assumida, quando de acordo político firmado. Outra mais. Não procurei político nenhum pedindo arrego de forma alguma, mas tudo que se fez foi fruto de acordo político firmado para ajudar na administração pública. Agora o pior de tudo, é vir a ser exonerado através de um aparelho celular, sem sequer uma conversa em minha casa, que soube muito bem do caminho quando alguém chegou a pedir o meu apoio político. Por isso mesmo não me acho no dever e obrigação de agradar ninguém, porque posso caminhar ainda com os meus próprios pés.

         Então não “cuspi em prato que comi”, coisíssima nenhuma. Quanto a falar dos maus feitos de qualquer político, na minha condição de um ferrenho crítico de políticas públicas errôneas, equivocadas e danosas ao Brasil e ao nosso município, sempre foi uma obrigação que sempre usei como trincheira de lutas desde tenra idade. Por isso não capitularei de meu sagrado direito de no momento oportuno colocar a boca no trombone.

         Por isso mesmo, o recado que mando, é que quem vestir a carapuça, acaso caiba, que assuma a sua responsabilidade, porque não deve favor ou satisfação a político nenhum desses que apoiei em nossa região, quer de Tupanatinga, daqui mesmo e da Pedra.

         Antes de alguém dizer alguma coisa, primeiramente se informe dos fatos para saber de minha história. Quanto à minha vida, que a deixem em paz e, quanto aos pitacos políticos podem ficar tranquilos que na minha condição de cidadão, vou continuar os dando, mesmo que venha a sofrer ameaças, porque nunca fui de ter medo de ninguém.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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