Um dia de pais vazio

dia de pais

Lembro perfeitamente quando em tenra idade, morando nos grotões do Sítio Cigano, em Buíque, a gente não tinha lá essa coisa de “dia dos pais” ou de “dia das mães”. Nas cruezas da vida, quem ligava para isso? – Todo dia era dia de pai e de mãe. Não era culpa de meus pais, tampouco de nós mesmos, mas que inexistia tanto apelo comercial que existe no mundo atual, mas mesmo assim não deixa de ser um dia especial.

O tempo avançou e muitas coisas, ou quase tudo praticamente mudou à medida que este foi se elastecendo no espaço como um trem que vai danado e destrambelhado para Catende, e veja a que chegamos nos dias atuais. Dia dos pais no mundo atual se tornou algo de muito apelo comercial, porém é um dia em que os filhos como forma de devoção, obediência e louvor, buscam nos país, isto quando desempenha verdadeiramente esse papel, fazem questão de os verdadeiramente homenagearem e isto é gratificante para quem é pai na acepção da palavra e merece ser motivo de exemplo e orgulho para os filhos.

No meu tempo quando meus pais eram vivos, sempre fazíamos questão, depois de uma maior conscientização, do valor que tiveram nossos país em nossas vidas, eu, meus irmãos e irmãs, já no ocaso da vida deles e sofrendo as mazelas impostas pelas intempéries do tempo, trabalhando ou estudando fora de Buíque, sempre fazíamos questão de marcar presença, não que os esquecêssemos nos demais dias, porque pai e mãe o serão sempre por todo o dia e o dia todo. Só o filho ingrato é quem não chega a reconhecer a verdadeira valoração que deve ter um pai ou uma mãe, mesmo que os tenha criado com certo e esmerado rigor, porque apesar de alguns excessos que na qualidade de pai se comete, na verdade é pelo bem maior de melhor adequar uma boa educação para um filho. Talvez até a gente não tenha tido o mérito de vir a ser um bom pai, mas sempre busquei ser o pai possível para meus queridos e amados filhos e filha.

A tristeza profunda que me vem de dentro d’alma no dia de hoje, é o fato de que no ano passado, estivemos todos juntos pela última vez, isto é, eu, Hélder Modesto, Hémerson Modesto, Hélderson Modesto e Patrícia Modesto, no Cajueiro Bar, comemorando o dia dos pais e hoje já não posso dizer ou sentir a mesma emoção, porque está faltando uma destas minhas pétalas, Hémerson Modesto, carinhosamente conhecido como “Mecinho”, para comemorarmos todos juntos mais um dia dos pais, mas infelizmente ele não vai poder se encontrar comigo e isto me deixa com imensa tristeza, dor, saudades e com o velho coração cada vez mais dolente.

Que saudades filho meu, então como forma de compensar a sua ausência, esse incomensurável vazio a me dominar, vamos fazer de conta que ao invés do meu, vamos comemorar o teu dia, como se fora o meu, porque jamais deixarás de estás junto a mim enquanto vida tiver, porque você foi uma parte de mim que se foi para nunca mais voltar. Então querido filho, feliz dia dos pais, extensivo aos demais amados e queridos filhos e filha que aqui estão e ainda vou fazer de tudo para que eles se fortaleçam sempre com a tua ausência que sempre estará presente no coração de todos nós.

Inobstante minha tristeza e dor, quero desejar a todos e a todas, um feliz dia dos pais, que não poderei mais comemorar como antes, ou comemorar tenho desejo, porque as flores do meu jardim não são mais as mesmas de antes. Saudades filho amado e querido, em qualquer ponto do Universo onde quer que estejas ou te esconderes pela eternidade!

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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