Se Pudesse, Mudaria Tudo

         Não sou um Deus. Apenas um reles mortal suscetível a todos os sentimentos, defeitos e vulnerabilidades de todo e qualquer ser humano. Nessa condição em que vim ao mundo, nada, quase nada ou pouco posso fazer para tentar mudar o que não posso.

         Acaso tivesse nascido com a força e poder de Deuses, mesmo que não venha a dar muita credibilidade N’eles, sejam quais forem suas matizes originárias de sustentação, dessas teses para quem venha a acreditar e personificar como supremacia de ordem mandamental divina, e que a tudo pode, aí sim, quem sabe se não viesse a mudar muitas coisas neste mundão que ninguém na verdade sabe a quem pertence.

         Pensando bem, a gente vive num mundo completamente confuso, de uma complexidade sem precedentes, é cobra engolindo cobra e o humanismo que deveria ser presente na humanidade, inexiste, esvaiu-se como fumaça e a cada dia que passa, cada ser humano se torna uma pessoa piorada, robotizada e focada ninguém sabe bem em quê! – Vive-se tempos de indefinição, de modificação, de acomodação, de aceitação ou não de mudanças que podem ser reais ou criação da própria convivência humana e social.

         Se pudesse mudar tudo isso, certamente, num piscar de olhos ou estalar de dedos, faria com que todos vivessem igualitariamente, sem estamentos sociais. O que seria de um, seria dividido igualitariamente entre todos, e a pobreza seria varrida do planeta. A riqueza seria distribuída em partes iguais para acabar de vez com a fome de quem passa privações e jamais teve a mínima condição de ter uma vida digna e esta é uma triste realidade que envergonha a toda a humanidade.

         Se esse poder viesse a se concentrar dentro de mim, buscaria ser mais compreensivo naquilo que não fui preparado para entender, porque a minha convivência humana e social não chegou a me permitir tanto e por isso mesmo, busco combater e repugnar certas coisas que não aprendi a aceitar passivamente. Por isso sofre dentro de mim com os meus próprios demônios que não aprendi a lidar com eles.

         Acabaria também com todas as dores e sofrimentos do mundo, atenuando a vida daquelas pessoas enfermas, que vem a perder a vida precocemente, essa daria de volta para que pudessem ter a devida continuidade à vida até chegar a última estação do fator limitativo do viver. Melhor, varreria do ciclo vital o fator mortalidade. Todas as pessoas chegariam a um determinado patamar de idade e jamais teriam que enfrentar o fator fenomênico teratológico da morte, mesmo que com a superlotação da terra, tivesse que haver uma teletransportação para algum outro lugar no Universo Infinito, mas morrer, jamais!, porque é triste o sentimento de morte e vê um ente querido perder a vida, a dor é multiplicada exasperadamente sem que se possa mensurar.

         Não sou dotado desse poder. Talvez nem de vontade própria posso ter a minha própria escolha porque num mundo normatizado pelo positivismo da criação humana, dominado por títeres e poderosos, a gente chega a um determinado ponto em que se sente tão decepcionado na vida, que em muitas circunstâncias, quem sabe, morrer seria o melhor caminho, porque aí tudo se acabaria de vez.

         Se pudesse mudar o mundo, só o amor prevaleceria. As maldades seriam varridas do planeta e todos viveriam felizes para sempre como iguais. Sem comandantes, nem comandados. Só todo mundo vivendo com humanismo, amor, harmonia e sempre buscando na ajuda mútua, a convivência pacificada de todos os povos que existem.

         Acaso isso pudesse acontecer, eliminariam todos os títeres, nazifascistas, ditadores, torturadores, estupradores, pessoas que só têm dentro de si ruindades e maldades, essas pessoas desapareceriam do mundo como que por encanto e as faria sofrer pela eternidade. Se nada pudesse mudar, então acabaria de vez com toda a raça humana do planta Terra, porque só assim, todo mundo desapareceria para sempre para nunca mais voltar.

         Mas um mundo assim não existe, não posso conceber e jamais existirá e para mim, foi só mais um sonho não realizado em minha reles e insignificante passagem de vida dentre vocês, que podem ter olhares que tiverem, mas nunca buscaram visualizar o tipo de ser humano que sempre fui enquanto em vida.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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