O discente e o docente, quem é quem?

AESA - Manoel Modesto

A essa altura do campeonato, todas as noites estou de volta ao caminho da Faculdade. Da faculdade?, alguém pode chega a me indagar ou questionar! — Isto em face de a minha idade ou por já ser formado em Direito e vir atuando há quase três décadas como profissional liberal da área de ciências jurídicas.

Estou readquirindo o fôlego para percorrer o mesmo trilhar que o fiz de 1973 a 1976, quando em estradas extremamente desestruturadas de piçarra, com uma demora média de pouco mais de duas horas, fazia o mesmo percurso entre Buíque-Arcoverde e vice-versa, quando estudei o Curso Científico na Escola Estadual Carlos Rios, ou então quando estudei Direito na FADICA de Caruaru, fazendo o percurso de Pesqueira-Caruaru e o mesmo de volta, num primeiro momento, numa Caravan e depois num ônibus e consegui vencer os dois desafios. Na verdade, lá em tempos pretéritos de minha vida, já houvera iniciado o curso de Engenharia na UFPE, no Recife, porém não cheguei a concluir, o tendo deixado no meio do caminho.

Voltar ao banco acadêmico a essa altura do campeonato, faz algum sentido? — Fico também a me questionar o porquê, porém chego à conclusão que nesta vida, “viver é preciso, por isso mesmo é que estou navegando”, buscando um sentido para continuar vivendo até aonde não sei, mesmo assim sempre fui de desafios, mesmo que venha sendo confundido com professor, embora não seja integrante do corpo docente da AESA, mas bem que poderia ensinar sem nenhum demérito para quem já está ensinando, algumas matérias do campo do Direito, embora seja mais um estudante, integrante do corpo discente da Faculdade de Arcoverde, mas estou buscando ter o devido fôlego para me adequar a mais este desafio de minha vida, de algo que ficou lá atrás num determinado interstício temporal.

Conseguir ou não, eis a questão! — Acredito que sim, porque nunca fui de desistir de meus intentos, apesar dos atropelos, agruras e tragédias que tenho enfrentado no decurso deste meu viver, mas não posso parar, porque se isto vier a acontecer, sei que não mais vou suportar viver e para que a vida tenha um crédito de continuidade a mais, tenho que insistir em continuar remandado neste barco da vida, em que a única certeza que a gente tem é a de que vai chegar um momento em que ele vai naufragar de vez e nada mais vai restar.

Estudante, professor, não sei bem o que sou! — Só sei mesmo que no show da vida lá na AESA estou procurando o meu banquinho da faculdade todas as noites com uma boa turma de outros alunos e alunas, para no aprender com o dançar dos números nas ciências exatas, talvez quem sabe, dançando um tango de Carlos Gardel, vir a me complementar como ser humano e consiga enfim, ter tempo suficiente para pelo menos vir a fazer o projeto de minha casa derradeira de estrutura de meu próprio jazigo de dormitar o sono derradeiro.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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