Mais Um Ano de Escuridão

Não quero iniciar a minha narrativa como mais um mensageiro de maus presságios, tampouco de um visionário da morte e da escuridão. A questão em si mesma, é nos depararmos com uma realidade visível e palpável da qual não podemos nos esconder e fazer de conta que a felicidade teve início a partir de zero hora destes novo dia e ano.

         Mostrar a realidade em que vivemos sem vir a ser comparado ao pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer que viveu no Século XIX, denominado por seus pares de “filósofo maldito”, por ter como base de desenvolvimento de sua obra de que “viver é sofrer” ou de que “a vontade está acima da razão”, apesar de em parte concordar com tais assertivas, mesmo assim, a gente pode constatar que muitos dos estudos desenvolvidos por esse ilustre filósofo alemão, são verdadeiros. No mundo real das coisas, muitas das decisões humanas podem estar na razão ou na vontade. Tudo vai depender de fatores circunstanciais do um determinado momento vivido.

         Por isso mesmo, se o ano de 2020 com todas essas problemáticas de mais uma catástrofe humana, própria do desenvolvimento da vida, em que se pode visualizar esta como um processo em mutação, há de se acreditar que isso nunca vai parar com o fruir da história, até que daqui a bilhões e bilhões de anos, tudo venha a ser destruído totalmente sem nada ficar no Universo Infindo, porque existe neste infinitesimal mundo, todo um processo em desenvolvimento e o desconhecido, de tempos em tempos aparece, vem à tona, fruto da própria natureza, como os surtos pandêmicos que numa regular contagem na linha do tempo, vem aparecendo de século em século.

         Nós somos vida visível, mas quantas vidas invisíveis ou só visualizadas a portentosas lentes microscópicas existem em nosso próprio Planeta Terra e nas inúmeras galáxias existentes? – Quantos males não apareceram desde o surgimento do ser humano na face deste Planeta, hein?

         A gente não sabe da infinidade de doenças que surgiram desde que o mundo é mundo. Muitos foram extintos, porque não havia cura; muitas doenças foram encontradas curas com o desenvolvimento da ciência e muitas delas, se tem o controle, porém ainda está bem distante de se encontrar a cura, apesar do desenvolvimento cada vez mais veloz dos meios e mecanismos científicos desenvolvidos pelo homem. Ainda existe muito chão a ser andado.

         Entramos no ano de 2021, com essa pandemia iniciada ainda em fins de 2019, porém, mesmo com a proximidade de um antídoto imunizante, ainda não será de agora que se terá por completo o controle dessa pandemia que já se encontra em constante fase mutacional talvez mais forte e perigoso, porque essa minúscula partícula vem tirando a vida de muita gente e pelo menos um controle é o que se deseja descobrir para suspender os efeitos dantescos com a morte de milhares de pessoas.

         A razão de ter em mente que não existe muito a ser comemorado, é o fato de que, não conseguimos vencer a pandemia, porque, com todo o escopo científico do qual dispõe a humanidade, sobretudo os países mais ricos e avançados, ainda estão se debatendo entre si para que se firme de uma vez por todas um leque de imunizantes que venha a ser eficaz, não para eliminar a doença, porque isso pode ficar para depois de estudos mais pormenorizados, mas pelo menos que se venha a ter um controle da mortalidade a nível mundial, especialmente em nosso Brasil, que ocupa uma posição de segundo colocado dentre os países do mundo, em número de pessoas que perderam a vida por conta do covid-19.

         É lamentável a situação, mas há de se ter uma maior responsabilidade, em que a vontade de Arthur Schopenhauer, não pode prevalecer sobre uma situação de uma razão visível e palpável. Por isso mesmo é que as autoridades brasileiras, tem que agir de verdade e parar com essa inércia, e com vontade, determinação, vir a agir com a razão necessária, para poder se suspender o número diário de mortes e lutar pela vida de nossa gente. É isso que se espera para este ano de 2021, porque senão, será só mais um ano de profunda escuridão.

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Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

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