Entre Deus e o Diabo

       Desde que o mundo é mundo e os seres vivos da espécie humana, vieram a se dar conta de sua existência, que sempre se povoou no imaginário coletivo de cada uma dessas pessoas, a ideia de uma divindade que poderia vir das chuvas que caiam, dos mares que já existiam, do sol com à sua luz a brilhar, e nas noites belas e frias de luar.

         Mas uma divindade maior sempre existiu no inconsciente coletivo do povo, mesmo que fosse um toco ou até mesmo um animal forte e poderoso. Em meio a essa divindade com poderes que a tudo podia e que também a todos acudiam, em contraposição, existia uma troca, ou de vidas de animais, dos próprios integrantes dos primeiros viventes, mas algum sacrifício e dádivas, tinham que ser executadas, feitas e doadas aos Deuses que eram os senhores de todas as ocasiões e em tudo mandava, pois sem Ele, não seria passível de existência e, com a multiplicação de muitas pessoas divididas em uma vida tribal e rudimentar, sempre se fazia a ideia de que cada povo teria a sua própria divindade e, ladeada a esta, em pé de igualdade, existia em contrapartida, aquele tipo de lado oposto à divindade que representava o bem e a proteção, também existia a ferocidade do castigo em caso de desobediência, que seria jogado às garras do poderio do mal, representado por outra divindade também com poderes iguais à divindade do bem, mas que ambos se mantinham em perfeito equilíbrio para a continuidade da sobrevivência daqueles rústicos seres humanos no início de como tudo começou.

         Foi somente a partir do marco histórico do nascimento de Jesus Cristo, que se buscou uma linha demarcatória entre Deus, o Diabo, Céu e Inferno, embora ainda prevalecesse uma série de povos, em que tinham os seus próprios Deuses ou Deus de um povo só, mesmo assim, a ideia norteada pelo Cristo, que passou a se dizer filho do único Deus, revolucionou e mexeu na cabeça de muita gente daqueles idos, que jamais aceitaram ou concordavam com a ideia de um único e exclusivo Deus, achando que Jesus Cristo era um político e hábil nas palavras quando de suas pregações inovadoras e revolucionárias, e de que, a partir de então, representava um perigo para os poderosos da época e, por isso mesmo, é que buscaram eliminá-lo, diante de sua popularidade e aceitação de suas revolucionárias pregações avançadas para à época e que ainda prevalecem no mundo de hoje, então por isso mesmo, resolveram eliminá-lo dessa ideia de sua pregação e de se dizer que era o único filho de Deus e que todas as ovelhas deveriam lhes acompanhar, o que provocou a ira diante dos poderosos da época e por isso mesmo, chegou a perder a sua vida com requintes da mais desumana crueldade, e por isso mesmo, se tornou no Cristo Salvador de toda a humanidade. Quer dizer, de um filósofo, um pregador que passou a contestar e criticar o status quo vigente de sua rústica época, passando então a ser visto, com a adesão popular cada vez mais forte, em perigo real diante dos olhos dos poderosos dominantes do poder daqueles tempos, sendo portanto, necessário que viesse a ser eliminado para que não houvesse mais a disseminação de suas pregações e de suas ideias, mas contrariamente, com a sua morte, se criou o Cristo renascido dos Céus, o mito e Santo Salvador do mundo, pelas mãos do Pai, Deus, que definitivamente se firmou no mundo do cristianismo até os dias atuais.

         As raízes do cristianismo, indubitavelmente, vem de mais de dois mil anos atrás, mas elas tiveram mais ebulição na época da Idade Média, em que buscou se firmar cada vez mais a ideia da existência definitiva de Céu e de Inferno e de um Deus bom e caridoso e de um Diabo, horripilante, vingativo, traiçoeiro e de que, quem não andasse de mãos dadas com o cristianismo, era passível de ir parar no fogo do Inferno, pois só assim, pagaria pelos pecados cometidos e a partir de então, vieram guerras santas, as cruzadas, a fogueira para queimar inocentes e uma séria de barbárie praticadas pela Igreja Católica, tudo isto em nome de Deus, não propriamente do que pregava o Cristianismo, mas dentro de uma visão distorcida de uma Igreja Católica corrupta, embusteira e vingativa, daí se aglutinou um grande acúmulo de bens, de enriquecimentos ilícitos, tudo em nome do Cristianismo que em nada viria a condizer com a palavra antes pregada por Jesus Cristo. Foi diante desse Catolicismo desviado, que surgiu a cisma, em que foi criado o protestantismo, hoje o mundo dos evangélicos, mas esse mesmo protestantismo assim chamado, foi porque o seu líder que era padre da Igreja Católica, Martinho Lutero, alemão, assim foi denominado, porque foi ele que primeiro protestou em face dos desvios da Igreja da qual ele fazia parte e como tal, foi excomungado para o mundo dos infernos. Hoje o protestantismo, pregado pela grande maioria dos evangélicos, só busca mesmo falsear a verdade da palavra, demonstrar invencionices que não existem, fazer curas miraculosas impossíveis de se realizarem, mentindo aos seus seguidores e enriquecendo indevidamente às custas de pessoas ingênuas e de boa-fé. Quer dizer, esse também, é o lado embusteiro da pregação protestante da atualidade, apesar de ainda existir gente de boa-fé em quaisquer que sejam os credos religiosos. O muçulmano, acredito, ser o pior e mais radical de todos, pelas barbáries que, em nome de Deus, vem fazendo com parte do mundo, principalmente, quando decapitam, filmam e mostram as barbáries das quais são capazes de fazer contra inocentes que também, são filhos de Deus. Então essa é a pura ação de uma pregação religiosa medieval e do atraso, não se podendo dizer que são representantes de Deus, mas sim, do Diabo em suas sendas maléficas de praticarem tamanhas maldades.

         A questão entre a existência de Deus e do Diabo, na verdade, existe desde que o mundo é mundo, ao surgir no mundo civilizado, dois lados dissonantes e radicalmente opostos, o do Bem e o que se enviesou pelo Mal. Hoje ainda perdura um mundo em que existe ainda povos, que nas suas crenças, se voltam para um outro Deus que não o do Mundo Cristão, mas que, em muitas das religiões, a exemplo da Muçulmana, o Deus do Cristianismo, é o mesmo deles, com um diferencial, de que eles são muito mais radicais do que os do lado do Cristianismo moderno, pois eles pararam no tempo, na Idade Média, que estão inseridos entre os fundamentalistas, devem ser execrados do mundo da religiosidade, tanto os católicos, quanto os protestantes, mas que, essa questão de Céu, de Inferno, no meu ponto de vista, está mais para uma criação na mentalidade dos seguidores dessa ou daquela ordenação religiosa, que propriamente da existência realmente tanto de um, quanto o de outro. Acredito que o Céu e o Inferno, estão presentes entre nós mesmos, pois ou poderemos ter um mundo saudável, de belezas, de flores e de paz, ou então, um mundo dantesco de solidão, de tristezas, de sofrimentos e de muitas fases dolorosas de vida, aí sim, este lado de mundo, seria com certeza o inferno de cada um de nós. Quanto a nossa destinação pós-morte, mistérios muitos existem, pois ninguém voltou desse misterioso mundo para nos dizer como ele é, se é que existe realmente, mas enquanto vida existir, sempre vai existir esse misterioso mundo após à vida, decididamente envolto por esse Mistério indecifrável e indeterminado e assim, vamos sempre conviver nesse mundo maquiavélico povoado entre Deus e o Diabo, em que, uns pensam que vão para o Paraíso do Céu e, outros, vivem com medo do incandescente e funesto mundo do Inferno com labaredas de fogo incandescente a queimar os infiéis e pecadores.

Compartilhar:

Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

Conteúdo sugerido...

Leave a Reply

Your email address will not be published.