“Mucuim”, Mais um Pontinho Brilhante no Firmamento

   

  Conheci José Siqueira Leite, mais conhecido como “Mucuim”, seu nome de guerra, alguns anos depois de meu irmão Miltinho Modesto, estabelecer o seu empreendimento, a Panificadora Cardeal, acredito que lá por volta da década de 80, final de 90 e nas tantas farras que fizemos no Bar O Caldinho, de Arcoverde, em que vez por outra nos juntávamos com Enaldo Cândido, fundador do Jornal de Arcoverde e outros colaboradores e muitas pessoas da sociedade arcoverdense, que faziam questão de sempre passar lá no “Caldinho”, ponto de encontro de Enaldo do Jornal, para trocarmos conversa, jogar assunto político para fora e eu, sempre procurava ser sarcástico com os políticos que se juntavam na mesa da gente, adorava “tirar onda” entre todos eles, sempre tomando umas e outras e assim a farra se prolongava até a boquinha da noite.

         Foi assim que cheguei a me aproximar de “Mucuim”. Senti muito a sua morte no dia de ontem, mas pelo que tudo indica, diante das circunstâncias da doença crônica avançada da qual era portador, melhor assim do que permanecer num leito hospitalar do SUS ou seja de qual nosocômio viesse a ser. Em determinados momentos da vida de cada um de nós, embora ninguém queira partir, a saída em si mesma com certeza, será fechar os olhos de vez, porque sofrendo como vinha, não era possível continuar nesta vida. A gente na condição de amigo só tem a sentir, porque nada mais se pode fazer.

         Sei que de nossos encontros, quer na Panificadora Cardeal de meu irmão Miltinho Modesto, sempre era motivo de alegria. Nunca o vi de cara feia. A cara dele sempre foi àquela mesma. Na Panificadora Cardeal, quando existia qualquer problema contábil ou fiscal, “Mucuim” era o faz-tudo de meu irmão, porque numa convivência de mais de quarenta anos, aprendeu a confiar piamente tão-somente nele. Era o seu homem de confiança para resolver qualquer problema relacionado com a padaria. Eram realmente amigos. Acredito que meu irmão deve estar sentido muito a sua partida também, talvez até mais do que eu, porém a dor de ver um amigo partir nessas condições, é coisa que a gente não esquece jamais, porque ele era o tipo de amigo para se guardar, como bem o disse em sua Canção das Américas, o cantor Milton Nascimento.

         A gente tem consciência plena de que, a dor da perda de uma pessoa amiga é deveras dolorosa, entristecedora e a gente sabe que não vai mais encontrar de forma alguma com essa pessoa. Muitos dizem que depois da morte haverá esse novo encontro. Não acredito nisso, mas enquanto vida a gente tiver, vai sempre estar com àquele amigo de verdade guardado sempre em nossos corações, nada mais que isto. Mucuim agora é apenas um pontinho brilhante no firmamento. É dessa forma que retornamos ao mesmo ponto do qual viemos.

         José Siqueira Leite, mas conhecido como “Mucuim”, você estava como todos nós, numa fila. Foi antes da gente, porém nem por isso, a gente será poupado de forma alguma, porque a morte derradeira é o que nos aguarda, mas só quero dizer a você em meu nome, de meus filhos, filha, de meus irmãos, em especial Milvernes Modesto e Miltinho Modesto, de meus familiares, que você jamais será esquecido de nossos corações, porque você foi um amigo de verdade, principalmente porque sempre esteve de nosso lado nos momentos mais difíceis de nossas vidas. Adeus para sempre velho amigo Mucuim!

Compartilhar:

Manoel Modesto

Advogado, escritor, poeta e presidente da ABLA (Academia Buiquense de Letras e de Artes)

Sugestões de leitura...

2 Respostas

  1. Poliane disse:

    Obrigado pelos palavras de carinho !! 🙏🏻😢

  2. Obrigada pela bela homenagem a meu avô, para mim ele sempre foi mais que isso, pois me criou igual todos os outros filhos dele, e quem teve o prazer de conhecê-lo e conviver sabe que tudo isso é verdade, ele era uma pessoa boa, de um coração bom. Agora resta saudade !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *